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Incontinência urinária

20 de julho de 2021
Incontinência urinária

O que é a incontinência urinária

Antes de mais nada, a incontinência urinária, ou perda de urina, é um problema comum muitas vezes constrangedor.

A gravidade, no entanto, varia, em alguns casos, a pessoa não consegue segurar a urina ao fazer esforço como tossir ou espirrar, em outros casos, a vontade de urinar é tão súbita e forte que não dá tempo de chegar a um banheiro.

A incontinência urinária atinge 10 milhões de brasileiros de todas as idades, sendo duas vezes mais comum no sexo feminino, afirma a Sociedade Brasileira de Urologia.

Público alvo

É um problema que afeta todas as faixas etárias, mas acomete mais a população idosa.

A queixa de perda involuntária de urina, é elemento gerador de exclusão social, interferindo na saúde física e mental da paciente e comprometendo sua qualidade de vida.

A incontinência urinária (UI) é a soma de fatores de um processo natural que vão danificando e enfraquecendo o assoalho pélvico ao longo dos anos.

Além disso, há também outras patologias que, independentemente da idade, vão contribuindo para esse desfecho.

Tipos de incontinência urinária (IU)

  • Incontinência urinária de esforço

A incontinência de esforço acontece quando a pessoa não tem força muscular pélvica suficiente para reter a urina.

Isso significa que ela terá perda de urina ao espirrar, tossir, rir, levantar algo, subir escadas, fazer atividades físicas, mudar de posição ou fazer algo que põe a bexiga sob pressão ou estresse.

Ela ocorre frequentemente em mulheres e em homens que tiveram algum tipo de lesão do esfíncter urinário.

  •  Incontinência urinária de urgência

A incontinência de urgência é um desejo de urinar que é tão forte que você não consegue chegar ao banheiro a tempo.

Isso pode acontecer mesmo quando você tem apenas uma pequena quantidade de urina na sua bexiga.

A síndrome da bexiga hiperativa é a principal causa da incontinência de urgência.

  • Incontinência urinária por transbordamento

Esse tipo de incontinência ocorre quando a bexiga está sempre cheia, ocorrendo vazamentos. Também pode acontecer de a bexiga não se esvaziar por completo, o que leva ao gotejamento.

  • Incontinência urinária de funcional

A incontinência funcional ocorre quando uma pessoa reconhece a necessidade de urinar, mas está impossibilitada de ir ao banheiro devido a alguma doença ou complicação que a impede de chegar ao banheiro por conta própria.

  • Incontinência urinária mista.

Em alguns casos, os sintomas de incontinência urinária podem se misturar, criando a incontinência mista.

  • Incontinência por desvio

A incontinência por desvio ocorre na presença de fístulas urogenitais.

Fatores de risco para IU

  • Histórico familiar: o comportamento genético parece aumentar o risco para IU, principalmente na IU de urgência.
  • Obesidade: é o mais importante fator de risco; obesas têm três vezes mais risco IU do que as não obesas, principalmente na IU de esforço (IUE).
  • Paridade: pacientes com partos normais têm maior risco de IUE que as das cesarianas.
  • Nota: a cesariana isoladamente, porém, não é fator protetor.
  • Tabagismo: parece aumentar o risco de IU.
  • Menopausa: parece aumentar o risco.
  •  Atrofia genital e doenças crônicas parece aumentar o risco.

Fatores transitórios e reversíveis

  • Consumo de cafeína;
  • Infecção urinária;
  • Gestação;
  • Vaginite atrófica.

Diagnóstico da incontinência urinária

  • perda de urina associada a tosse;
  • ao espirro;
  • a associada exercícios
  • perda contínua pode sugerir a presença de fístulas.

Exame físico

O objetivo do exame físico é inspecionar áreas como, parede vaginal, vulva, assoalho pélvico.

Observar se há: defeito da parede vaginal anterior (cistocele), da parede vaginal posterior (retocele), prolapso uterino e enterocele.

Como é feito o exame

O exame é realizado utilizando o método da manobra de Valsalva ou tossir repetinamente com a bexiga cheia para observar perda de urina aos esforços. Há também, outros dois métodos, são eles:

Pad test (teste do absorvente): este método propedêutico é baseado na variação do peso de um absorvente íntimo, secundário ao escape de urina, durante um período determinado, no qual a paciente executa alguns movimentos tentando reproduzir a perda urinária. O teste é considerado positivo quando ocorrem variações maiores que 1 g no peso do absorvente.

Q-tip test (teste do cotonete): o teste do cotonete consiste na inserção de um contonete lubrificado pela uretra até o nível do colo vesical, medindo-se a modificação angular com o esforço. Variações acima de 30 graus sugerem hipermobilidade uretral, e pode haver correlação com incontinência por hipermobilidade uretral.

Diagnóstico com exames de imagem

Podem ser feitos, também os exames de imagem:

Exames de imagem

  • Ultrassonografia translabial e transvaginal.
  • Uretrocistoscopia.
  • Teste urodinâmcio.

Tratamento da incontinência urinária

Antes de iniciar a terapia, deve-se avaliar a presença de outros sintomas e sinais associados à incontinência, como dor pélvica crônica, hematúria, prolapsos genitais, possibilidade de fístulas ou divertículos, resíduo pós-miccional elevado, entre outros.

Intervenções não terapêuticas

  • Cateterismo permanentes ou intermitentes.
  • Absorventes.
  • Dispositivos vaginais.
  • Pessários (muito utilizado em pacientes com prolapso genital).

Outros tipo de intervenções também são indicados, como por exemplo:

Modificações no estilo de vida e exercícios pélvicos para todos os tipos de IU, por um período de 8 a 12 semanas, principalmente nas pacientes que necessita de perda de peso.

Perda de peso: a redução de peso tem impacto na incontinência urinária, principalmente naquela de esforço. Subak demonstrou que a perda de até 5% do peso pode ter efeito significativo na IU.

Dieta e ingesta hídrica: medidas dietéticas como: diminuição do consumo de bebidas carbonadas, alcoólicas e cafeína. Pode diminuir os sintomas da incontinência de urgência.

Retreinamento vesical

É indicada para pacientes com IU de urgência e IU de esforço. A paciente é orientada a urinar em horários fixos e a controlar seus sintomas de urgência com técnicas de distração e relaxamento. A resposta ao tratamento pode levar até 6 semanas; portanto, a paciente precisa ser estimulada a persistir.

Constipação: pode piorar a perda urinária e está relacionada com retenção urinária. Deve ser manejada e evitada quando possível.

Tabagismo: tem sido associado com a IU; porém, não há estudos que tenham avaliado se a sua interrupção tem impacto na perda urinária.

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Fonte: Dr. Miguel Arcanjo Pedrosa, Ginecologista em São Paulo – CRM 41662