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Osteoporose, prevenção e tratamento

13 de julho de 2021
Osteoporose causas e tratamento

Prevenção da Osteoporose

Antes de mais nada, no post anterior, falamos sobre causas e fatores de risco da osteoporose. Hoje iremos descobrir formas de prevenção e tratamento.

A prevenção da Osteoporose deve ser iniciada com cuidados durante toda a vida do indivíduo, inclusive durante a gestação, uma vez que há um impacto diferente da prevenção para cada etapa.

Em que fase da vida inicia-se o ganho de massa óssea

A aquisição de massa óssea inicia-se no útero, e a maior parte da deposição de cálcio e fósforo ocorre no terceiro trimestre da gestação.

O esqueleto fetal requer 30 g de cálcio durante toda a gestação, compensados pelo organismo materno pelo aumento da absorção intestinal de cálcio mediada por diversos fatores.

A mineralização óssea normal continua na infância e na adolescência e é o resultado de 2 processos, o de modelação e o de remodelação óssea.

A infância, assim como a puberdade, é um período da vida com intenso crescimento ósseo, pois 90% da massa óssea será formada até o fim da adolescência.

Na idade adulta, após os 30 anos, não existe mais incremento na massa óssea.

Portanto, a infância e a adolescência são períodos importantes para a formação óssea e para a prevenção da osteoporose nas pessoas mais idosas.

Uma vez atingido o pico de massa óssea, o mesmo é mantido por um processo contínuo de remodelação óssea, no qual o osso velho é removido e um osso novo é formado em seu lugar.

Esse processo é responsável pela força óssea durante toda a vida.

Qualquer fator que cause alteração nesse ciclo de remodelação pode levar a uma rápida perda de massa óssea e tornar o osso mais frágil.

Fatores que influenciam a massa óssea

Vários fatores podem influenciar a massa óssea.

Esses fatores podem ser divididos entre fatores que não podem ser modificados, como sexo, idade, proporção corporal, genética e etnia; e fatores que podem ser modificados, como hormônios e hábitos de vida que incluem atividade física, tabagismo, consumo de álcool e dieta.

O pico de massa óssea e o metabolismo de cálcio também são influenciados pela atividade física, porém a intensidade de atividade física necessária para afetar o desenvolvimento do esqueleto na infância ainda não está bem-estabelecida.

Fatores nutricionais já são bem estabelecidos como importantes na prevenção da doença.

Uma ingestão adequada de cálcio é crítica para a obtenção do pico de massa óssea e modifica a taxa de perda óssea associada ao envelhecimento.

Outro nutriente de grande importância para a saúde do osso é a vitamina D, que está presente em poucos alimentos, e a principal fonte é a síntese endógena que ocorre quando a pele é exposta aos raios UVB solares.

O efeito do álcool sobre a massa óssea é ainda bastante controverso, enquanto alguns estudos mostram diminuição da DMO e maior risco de fratura devido a diversos fatores, como diminuição da absorção intestinal de cálcio; interferência com o metabolismo hepático da vitamina D, inibição da atividade dos osteoblastos e alterações hormonais, como o hipogonadismo e o hipercortisolismo; outros estudos demonstram um efeito variável.

O tabagismo pode levar à reabsorção óssea por meio da alteração do metabolismo do cálcio e da vitamina D.

Deve-se intervir sobre os fatores de risco que são modificáveis nas mulheres na pós-menopausa, inclusive estímulo para a prática de atividade física, abandono do tabagismo, restrição de medicações sedativas e hipnóticas, bem como outros motivos que possam reduzir a massa óssea.

A correção de déficits visuais e a implantação de medidas para minimizar o risco de quedas são de fundamental importância (apoios e tapetes antiderrapantes no banheiro, pisos escorregadios, tapetes soltos, melhoria da luminosidade e cuidados com escadas e degraus).

Tratamento da Osteoporose

O tratamento da osteoporose deve ser dividido em não farmacológico e farmacológico e o principal objetivo do tratamento é a prevenção de fraturas em mulheres com DMO baixa ou fatores de risco adicionais para fraturas.

Tratamento não farmacológico

Dentre os não farmacológicos, estão todas as medidas preventivas de mudanças do estilo de vida para evitar que se atinja a osteoporose, como praticar exercícios, prevenção de quedas, dieta rica em cálcio, parar de fumar e evitar a ingestão excessiva de álcool.

Em geral, devem ser recomendadas para todas as mulheres, se ausência de contraindicações.

Tratamento farmacológico

O objetivo principal das prescrições de medicamentos para a prevenção de fraturas é tentar recuperar e equilibrar o remodelamento ósseo pela redução na reabsorção ou pela estimulação da formação óssea.

Esses medicamentos podem ser classificados em anticatabólicos (antirreabsortivos), anabólicos (próformadores) e de ação mista.

Os agentes anticatabólicos inibem a atividade osteoclástica e reduzem a remodelação óssea.

As várias drogas dessa categoria apresentam diferentes mecanismos de ação e incluem a terapia hormonal – TH terapia hormonal estrogênica (THE) ou terapia hormonal estroprogestativa (THEP), moduladores seletivos dos receptores do estrogênio (SERMs), calcitonina, bisfosfonatos e denosumabe.

A característica de uma droga anabólica é aumentar a produção da matriz óssea por meio da estimulação da função osteoblástica.

Os bisfosfonatos são potentes inibidores da reabsorção óssea.

Consequentemente, essa classe terapêutica é amplamente utilizada para a prevenção e tratamento da osteoporose.

Existem importantes princípios gerais para a utilização dos bisfosfonatos.

Eles são pobremente absorvidos pela via oral (menos de 1% da dose administrada é absorvido), então devem ser ingeridos com estômago vazio para maximizar a absorção.

Após a administração, o paciente não deve se alimentar ou tomar medicamentos/suplementos por pelo menos meia hora (alendronato, risedronato) ou 1 hora (ibandronato).

Os pacientes devem permanecer na posição vertical (não devem se deitar) após a administração da medicação para evitar refluxo.

Além disso, eles não são recomendados para pacientes que apresentam doença gastrointestinal alta ativa e devem ser descontinuados quando da ocorrência de sintomas de esofagite.

Tratamentos intravenosos

Regimes intravenosos (zoledronato e ibandronato) possibilitam uma opção alternativa para pacientes que não toleram bisfosfonatos orais ou que apresentam dificuldades com os requerimentos da administração oral mencionados acima.

Como a adesão a esses tratamentos ainda é subótima e parte dos pacientes poderia ser considerada como não respondedora, a monitorização terapêutica é mais um meio de ajudar no sucesso do tratamento.

Monitoramento

Tanto as mulheres com fraturas como aquelas com osteopenia ou osteoporose e sem história clínica de fratura que estejam em tratamento com medicamentos ativos podem ser monitorizadas com as seguintes técnicas:

  • Densitometria óssea seriada;
  • Medida dos marcadores da remodelação óssea;
  • FRAX;
  • Radiografia de coluna para pesquisa ativa de fratura vertebral ou VFA (Vertebral Fracture Assessment) no aparelho da densitometria óssea.

De modo geral, recomenda-se que o intervalo entre duas densitometrias ósseas seja de, pelo menos, um a dois anos.

Intervalos menores que um ano só devem ser recomendados em pacientes no início da terapia com corticosteroides, após transplantes ou durante a monitorização de pacientes com hiperpartireoidismo primário, para determinar a necessidade de intervenção cirúrgica.

Por outro lado, pacientes em tratamento que responderam com aumento ou manutenção da densidade óssea após o primeiro ano, independentemente da medicação, podem ser monitorizados com densitometria óssea a cada dois ou três anos.

A monitorização contínua da densidade óssea e a avaliação dos fatores de risco devem ser realizadas regularmente para determinar se a suspensão do tratamento deve continuar ou não.

A duração e a potencial descontinuação do tratamento com medicamento ativo devem ser personalizadas e dependem da resposta ao tratamento, risco de fratura e presença de comorbidades.

Inúmeros marcadores foram desenvolvidos nos últimos 20 anos e refletem a taxa de formação ou reabsorção óssea.

Mudanças dos marcadores da remodelação óssea em vigência do tratamento são mais rápidas do que a densitometria óssea.

Em geral, após três a seis meses, se observa mudança significativa dos marcadores da remodelação.

Para a monitorização, recomenda-se realizar a Radiografia de coluna para pesquisa ativa de fratura vertebral ou VFA a cada dois anos, mesmo em pacientes que evoluam com aumento ou manutenção da densidade óssea.

A fim de otimizar a saúde óssea na população feminina e minimizar a incidência de fraturas de fragilidade à medida que as mulheres envelhecem, uma abordagem ao longo da vida para construir e manter um esqueleto saudável é primordial.

O ginecologista é, muitas vezes, o primeiro médico a detectar fatores de risco, condições ou doenças associadas à baixa massa óssea ou osteoporose nessas mulheres.

Portanto, no âmbito da prevenção da osteoporose e das fraturas dela decorrentes, o ginecologista é o profissional médico habilitado para supervisionar todos os aspectos (estado hormonal, estilo de vida, padrão nutricional e intercorrências clínicas) que podem influenciar o estado da saúde óssea na população feminina.

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