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Placenta prévia

29 de julho de 2021
PLACENTA PRÉVIA

O que é placenta prévia

Antes de mais nada, a placenta prévia é definida pela presença de tecido placentário total ou parcialmente inserido na parte inferior do útero, após 28 semanas de gestação.

Classificação

  • Baixa: placenta situada na parte inferior, mas sem alcançar o orifício interno do colo uterino.
  • Marginal: margem da placenta alcança o orifício interno do colo sem recobri-lo.
  • Parcial: placenta recobre parcialmente o orifício interno do colo uterino.
  • Centro total: placenta recobre totalmente o orifício interno do colo uterino.

Essa condição, no entanto, acontece quando há alguma anormalidade, como danificação do endométrio, e o embrião, como consequência busca outros locais para sua nutrição, implantando-se na parte inferior do útero.

Sendo assim, a incidência de casos varia de 0,26% a 1,0%. Esta incidência, contudo, parece estar aumentando em consequência do maior número de cesáreas nos últimos anos.

Fatores de risco

Há vários fatores de risco conhecidos, mas um dos mais importantes é o antecedente de cesarianas prévias.

Em paciente com duas cesáreas anteriores, o risco de placenta prévia é em torno de 1,9%; ele aumenta para 4,1% nas pacientes com antecedente de três ou mais cesáreas.

A frequência de placenta prévia é cerca de 40% maior em gestações múltiplas, comparado a gestações únicas.

Algumas Causas de placenta prévia

Antecedente de curetagem uterina provavelmente devido a cicatriz no endométrio proveniente do procedimento cirúrgico.

O aumento da idade materna também aumenta o risco para o aparecimento de placenta prévia. Em mulheres com 19 anos, o risco de é cerca de 1/1.5000, mas a incidência aumenta para 1/100 em gestantes acima de 35 anos.

Em mulheres tabagistas, o risco de está duas vezes aumentada.

Fatores de risco

  • Número de cesáreas prévias (principal fator de risco);
  • Idade materna avançada;
  • Antecedente de placenta prévia;
  • Número de curetagens uterinas;
  • Multiparidade e tabagismo;
  • Gestação gemelar e miomectomia;
  • Cicatrizes uterinas prévias;
  • Abortamento provocado e endometrite;
  • Situações de grande volume placentário;
  • Intervalo interpartal curto;

Morbidade e Mortalidade

Materna

A presença de placenta prévia aumenta o risco de hemorragia anteparto e intraparto e também no período pós-parto.

Por essa razão, mulheres com placenta prévia estão sujeitas a receber transfusões sanguíneas, assim como a procedimentos cirúrgicos, como histerectomia, ligadura da artéria ilíaca interna ou embolização de vasos pélvicos para controlar o sangramento.

Em países desenvolvidos, a taxa de mortalidade materna por placenta prévia é menor que 1%, mas permanece elevada em países com poucos recursos, onde a anemia materna, a falta de cuidados médicos e os partos domiciliares são mais comuns.

Neonatal

Nas últimas décadas, avanços nos cuidados obstétricos, como a administração de corticoides antenatal, postergação do parto quando possível e uso liberal da cesárea, e também nos cuidados neonatais têm diminuído as taxas de morbidade e mortalidade neonatais em gestações complicadas por placenta prévia.

As principais causas de complicações neonatais estão relacionadas a prematuridade, anemia, hipoxia e restrição de crescimento fetal.

Diagnóstico

Qualquer gestante acima de 24 semanas com sangramento vaginal indolor deve levar à suspeita de placenta prévia.

Sintomas comuns de placenta prévia

  • Sangramento vaginal indolor vermelho vivo, imotivado, de início súbito, reincidente, de gravidade progressiva, na segunda metade da gravidez.
  • Útero de consistência normal;
  • Contrações uterinas podem ser encontradas durante ou após o episódio hemorrágico.
  • Tônus uterino está normal nos seus intervalos.

Na placenta prévia a hemorragia sem dúvida, é um sinal pontual e mais importante.

Exame físico para diagnóstico

A palpação é capaz de identificar falta de movimento fetal , apresentação pélvica (15%) e cefálica alta, por motivo da interposição da placenta entre a cabeça e o andar superior da bacia.

A ausculta do abdome revela batimentos cardíacos, e a cardiotocografia demonstra ser boa a vitalidade fetal.

Toque vaginal, é prescrito pelo risco de ocasionar hemorragia abundante.

Em menos de 10% dos casos de placenta prévia, as gestantes não apresentarão sintomas e o diagnóstico será realizado por exame ultrassonográfico de rotina.

Exame especular, confirma sob visão direta, que possível hemorragia tem origem no canal cervical.

Diagnóstico ultrassonográfico

O diagnóstico de placenta prévia é baseado na identificação de tecido placentário recobrindo ou muito próximo ao orifício interno do colo uterino, por meio de exame ultrassonográfico transvaginal é considerado hoje o padrão-ouro para o diagnóstico de placenta prévia.

Este exame deve ter uma distância de cerca de 2 cm do lábio anterior do colo do útero. Com o aumento da acurácia diagnóstica a ultrassonografia transvaginal, nos casos de implantação baixa de placenta deve relatar a distância da borda da placentária ao orifício interno do colo.

Se a suspeita de placenta prévia ocorrer antes de 28 semanas de gestação em paciente assintomática, uma nova ultrassonografia deve ser realizada na 32ª semana.

Isso porque cerca de 90% das placentas prévias diagnosticadas no segundo trimestre se resolverão até o término.

A chance de persistência do diagnóstico até o término dependerá principalmente do fato de a placenta recobrir ou não o orifício do colo.

Uma placenta prévia que recubra o orifício interno do colo persistirá até o término é de 26% das vezes, enquanto uma placenta de inserção baixa será encontrada no final da gestação em 2,5 dos casos.

Se no segundo trimestre a placenta não recobrir o orifício interno do colo, a chance de placenta prévia no termo é remota.

Cuidados

  • Orientar a gestante, mesmo que assintomática, a procurar o hospital diante de qualquer sinal de sangramento;
  • Evitar atividade física exagerada;
  • Evitar relações sexuais principalmente após a 20ª semana;
  • Realizar ultrassonografia transvaginal para a localização da placenta;
  • A conduta dependerá principalmente da idade gestacional. Intensidade da hemorragia e presença ou não de trabalho de parto.
  • Na presença de sangramento vaginal ou contrações uterinas, diante da suspeita de placenta prévia, recomenda-se internação imediata da gestante para controle materno e de vitalidade fetal. Esse diagnóstico deve ser confirmado pela ultrassonografia transvaginal.

Recomenda-se que as gestantes portadoras de placenta prévia permaneçam em repouso e receba suplementação de ferro elementar.

Veja também:
>> Deslocamento prematuro de placenta
>> Menopausa precoce

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