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Reabilitação da musculatura pélvica

22 de julho de 2021
Reabilitação da musculatura pélvica

Como recuperar a musculatura pélvica

Anteriormente, falamos sobre incontinência urinária, causas, fatores de risco. Hoje quero falar com você sobre métodos e exercícios que ajudarão a recuperar a musculatura pélvica em caso de incontinência urinária. Vamos lá?!

Técnicas para reabilitação da musculatura pélvica

A com utilização destas técnicas, ocorre aumento do tônus muscular e da força contrátil, e há recuperação das fibras de resposta rápida do esfíncter uretral estriado.

Conheça algumas técnicas e como são feitas:

  • exercícios perineais;
  • cones vaginais;
  • eletroestimulação;
  • biofeedback.

Cones vaginais: a paciente introduz na cavidade vaginal dispositivos, de mesma forma e volume, com pesos variando de 25 a 75 g (conjunto com cinco cones), geralmente retendo-os por 15 minutos, duas vezes ao dia.

Pessários: Dispositivos projetados reduzindo o deslocamento inferior ou afunilamento da junção uretrovesical.

Com isso, se obtém apoio para o colo vesical e, consequentemente, redução nos episódios de incontinência.

Recomendados para pacientes que não desejam cirurgia e/ou apresentam risco cirúrgico elevado, bem como não possuem motivação para outras modalidades terapêuticas.

Exercícios perineais (cinesioterapia): baseia-se no princípio de que contrações voluntárias repetitivas aumentam a força muscular e a continência, pela ativação da atividade do esfíncter uretral e pela promoção de um melhor suporte do colo vesical, estimulando durante as atividades diárias que geram estresse.

Exercícios de Kegel: consistem em contrações controladas e sustentadas dos músculos durante do assoalho pélvico. Orienta-se que a paciente realize de 8 a 12 repetições sustentadas por 8 a 10 segundos, devendo manter o programa por, pelo menos, 15 a 20 semanas.

Biofeedback: registro de uma atividade fisiológica, que, após ampliação e transformação em sinais acústicos e/ou visuais, é apresentado à paciente, facilitando a compreensão sobre a musculatura que deve ser recrutada nos exercícios perineais.

A técnica de biofeedback também pode ser utilizada com uma sonda para eletroestimulação, por meio da qual se emite estímulos elétricos para contração do assoalho pélvico, auxiliando a paciente na identificação da musculatura a ser contraída.

Eletroestimulação: constitui uma opção para o tratamento da IUE leve ou moderada da IUU e IUM.

Como acontece a reabilitação

Os mecanismos de ação para o restabelecimentos da continência são os seguintes:

  • Reforço da musculatura pélvica responsável pelo suporte da uretra e do colo vesical;
  • Aumento do tônus da uretra proximal (em repouso e durante o fechamento ativo do esfíncter);
  • Inibição reflexa de contrações vesicais;
  • Modificação da vascularização do tecido uretral e do colo vesical.

Outras opções de tratamento

Toxina botulínica: é uma opção para o tratamento de distúrbios urinários, principalmente em bexiga neurogênica, dissinergias e hiperatividade idiopática refratária. Aplica-se em até 30 pontos diferentes da bexiga, sob visão cistoscópica (evitando o trígono vesical).

Estimulação percutânea do nervo tibial posterior: apresenta benefícios para mulheres com hiperatividade detrusora. Nesta técnica utuliza-se sessões de 30 minutos, uma vez por semana, durante 12 semanas.

Uma agulha de acupuntura é colocada medial e posteriormente ao maléolo tibial e emite estímulos elétricos ao nervo tibial posterior.

Acupuntura: não há evidência suficiente para recomendá-la em ampla escala para pacientes com incontinência urinária.

Opções cirúrgicas

Manejo cirúrgico: o tratamento cirúrgico está indicado nos casos de IU por defeitos anatômicos. As cirurgias de Burch e os sling são tradicionais, já a cirurgia vaginal de Kelly-Kennedy está em desuso devido aos altos índices de recidivas em médio e longo prazo.

Injeções periuretrais: as injeções periuretrais são opções a ser consideradas em paciente com uretra mais fixa ou com várias intervenções anteriores, ou idosas com risco para abordagem cirúrgica de maior porte, desde que o detrusor ainda tenha a função preservada.

Importante saber

Incontinência urinária (IU) é sintoma frequente em ambulatórios e consultas de ginecologia, daí a importância do conhecimento de suas causas e manejo adequado de cada uma delas.

No Brasil, entre 11 a 23% das mulheres apresentam IU.

A Incontinência Urinária (IU) é definida como qualquer perda involuntária de urina, exceto para crianças, objetivamente demonstrável, causando problema social ou higiênico.

Incontinência Urinária de Esforço: é a causa mais frequente de incontinência urinária na mulher. Pode ser definida como um sintoma, um sinal e uma condição urodinâmica.

Bexiga Hiperativa: conjunto de sintomas, que apesar de sugestivos de hiperatividade do detrusor, podem estar relacionados a outros tipos de disfunção uretrovesical.

Hiperatividade do Detrusor: é uma condição eminentemente urodinâmica determinada por contrações involuntárias do detrusor durante a fase de enchimento vesical.

Incontinência urinária mista: Corresponde à associação da incontinência urinária aos esforços com hiperatividade do detrusor.

Incontinência por Transbordamento: É a perda urinária que acontece quando a pressão intravesical excede a pressão uretral. Está associada à distensão vesical, mas em ausência de atividade do detrusor.

A Incontinência Urinária de Esforço (IUE) é também conhecida por incontinência genuína ou verdadeira ou por causa anatômica.

A incontinência urinaria de esforço ocorre durante períodos de aumento da pressão intra-abdominal (ex. espirro, tosse, exercício), quando a pressão intravesical supera a pressão que o mecanismo de fechamento uretral pode suportar.

Incontinência Urinária por Urgência Observação da perda involuntária de urina sincrônica à sensação de urgência, que é difícil de conter.

Incontinência Urinária Extrauretral Observação da perda de urina por outros canais, ou seja, sem ser pelo meato uretral (ex.: fístula).

Incontinência Urinária de Esforço na Redução de Prolapso (Incontinência Urinária Oculta ou Latente) Incontinência urinária de esforço somente observada após a redução de um prolapso coexistente.

Incontinência Urinária (IU). Observação de perda urinária involuntária ao exame, que pode ser uretral ou extrauretral.

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Fonte: Dr. Miguel Arcanjo Pedrosa, Ginecologista em São Paulo – CRM 41662